Técnicos brasileiros desabafam contra declarações de Hortência
Ferreto diz “Rainha tem que agir como Rainha”
O desabafo do técnico de basquete feminino, Edson Ferreto, do Catanduva, ganhou força entre os seus colegas. Ferreto, que ficou chateado com as declarações da ex-jogadora Hortência, pediu que a Rainha tenha mais respeito com os profissionais. Ubiratan Paccini, do Ourinhos, e Laís Helena, do Santo André, concordaram com a declaração do treinador.
Paccini é da opinião que que deve, realmente, existir uma programação, um calendário bem feito, que vise as Olimpíadas, o Mundial, e o Brasileiro, que a partir daí o basquete feminino terá mais qualidade.
“A gente passa por momentos de turbulência com jogadores, e o técnico é o culpado. Eu acho que nós somos capazes. O Brasil nunca dependeu de estrangeiros.”
A outra declaração do técnico foi a de que Hortência nunca foi treinada por estrangeiros enquanto esteve na seleção e que os profissionais de hoje não possuem recursos para assistir aos jogos importantes ou fazer cursos fora do país, como sugeriu a ex-atleta.
“Ficou todo mundo magoado, não só o Ferreto. Nós não sabemos como se fazem as coisas, ninguém sabe como vai jogar o campeonato para, de repente, não ter sequência. Ai quem chega melhor e consegue ter uma sorte maior, leva o campeonato. Eu acho que não é só trazer técnico de fora e fazer intercâmbio. Eu acho que a gente também deve ter essa formação, trazer dirigentes de fora, fazer intercâmbios. Se nós não temos técnicos com experiência, também não temos dirigentes para tomar conta de uma seleção para jogar as Olimpíadas, o Mundial.”
A veterana Laís Helena, que se classificou para as semifinais do campeonato, foi um tanto sutil. Após uma conversa com Hortência, e as declarações de Ferreto, a técnica criticou a maneira que a ex-atleta se comunicou, mas entende os motivos da Confederação.
“Eu acho que (as declarações) pegaram mal, sim. Ele (Ferreto) tem razão quando disse os técnicos brasileiros ralaram muito até agora. É devido aos clubes que o basquete brasileiro conquistou várias medalhas. E o trabalho dos técnicos foi muito importante. Eu falei com a Hortência. Ninguém está colocando em dúvida trazer um técnico estrangeiro. O que é desrespeitoso é a maneira como ela colocou suas idéias. Ela me disse que nós tínhamos que reciclar. Para isso, não precisa viajar o mundo. Se ninguém foi até agora é porque a situação não permite. O que a gente não tem é um mínimo de estrutura. Eu não aceito, de forma nenhuma, a declaração.”.
A treinadora ainda acha complicado a chegada de um treinador no final da competição.
“O problema é que os anos se passam e existe muito pouca preocupação com o basquete. Não só a Hortência, mas as gestões anteriores. O basquete fica muito renegado e as pessoas ficam bastante doídas por este desprezo. Eu, que conheço bem a Hortência, acho que ela está tentando o melhor. A gente sabe que existe um sistema, a Confederação que vai colocar o treinador. Mas aí ela também falou demais. Eu acho que ela não está desmerecendo, mas está tentando o melhor. Esta indefinição atrapalha. E o treinador que for contratado, vai chegar no fim do campeonato. E vai escalar como? Vai viver de vídeo? Mas, no fundo, acho que está tentando proteger.”
Entenda o problema
Hortência é diretora da Confederação de Basquete. Na última quinta-feira ela deu uma declaração que minimizou o trabalho dos técnicos brasileiros.
“Não podemos ficar parados esperando as coisas acontecerem. Quero que os técnicos brasileiros invistam neles. Que viajem, assistam aos jogos. Não vi nenhum técnico brasileiro – a não ser o Paulinho – viajando para ver uma final da WNBA, uma Copa da Rainha, uma final de Euroliga. Não podemos nos fechar e achar que o que nós sabemos é o suficiente.”
Além disso, a Rainha do basquete ainda declarou que só há uma opção de técnico no Brasil: Paulo Bassul, que esteve no comando da seleção brasileira até o final do ano passado.
“Quando você tem que escolher um técnico, principalmente para uma seleção que vai disputar um Mundial, temos que escolher uma pessoa que tenha capacidade de nos levar ao pódio. Para isso, preciso ter mais opções. No Brasil, tenho uma só, que é o Paulinho. Então preciso conhecer novos técnicos, inclusive para decidir se o Paulinho é realmente o melhor.”
Em resposta às declarações da diretora da Confederação, o técnico Ferreto disse, após vencer o primeiro jogo da final, contra Ourinhos, que Hortência desrespeitou os técnicos brasileiros.
“Ela tem que respeitar um pouco quem trabalha. Nós, técnicos, somos trabalhadores honestos, merecemos respeito. Rainha tem que ser Rainha em todas as situações. Ouvimos dela uma ofensa com todos os técnicos. É uma pena alguém tirar o valor de um técnico como eu, que sou o mais antigo. Não entendo isso, é uma pena. Não sou só eu, somos nós todos que estamos trabalhando há muito tempo. A Hortência talvez não saiba disso, mas o basquete feminino sempre viveu em função de alguns técnicos que trabalharam muito.”




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