Na 85ª São Silvestre, Franck e Lucélia tentarão pôr fim a hegemonia africana
Tradicional corrida encerra o ano esportivo na capital paulista
Na tarde desta quinta-feira (31), na cidade de São Paulo será realizada a 85ª edição da corrida de rua mais famosa do Brasil: a São Silvestre, que até já faz parte do calendário paulistano.
Tudo começou em 1924, quando o jornalista Cásper Líbero assistiu uma corrida noturna na França, em que os competidores carregavam tochas de fogo durante o percurso e teve a idéia de trazer o projeto para São Paulo. Naquele mesmo ano foi disputada, à meia-noite do dia 31 de dezembro, a primeira edição. O nome de São Silvestre foi dado para homenagear o Santo do dia.
No entanto, a participação era restrita aos homens. O primeiro vencedor foi o atleta do Clube Espéria, Alfredo Gomes. Em 1932, a competição foi realizada, mesmo envolta de muitas dificuldades, já que os paulistas lutavam contra outros estados do país, pela Revolução Constitucionalista.
Cásper Líbero faleceu no Rio de Janeiro, em agosto de 1943.
Até a 20ª edição, a São Silvestre era disputada apenas por brasileiros. A partir de 1945, atletas de Chile e Uruguai foram convidados para participar. Depois disso, corredores europeus, africanos, asiáticos e norte-americanos também disputaram.
No ano de 1975, a ONU instituiu o Ano Internacional da Mulher, e o jornal A Gazeta Esportiva, organizador da prova, realizou a primeira corrida feminina. Na época, as mulheres corriam junto com os homens, mas a classificação era separada. A primeira campeã foi a alemã Christa Valensieck. Uma brasileira foi subir no lugar mais alto do pódio 20 anos depois, em 1995, com Carmem Oliveira.
Desde 1989, diversas alterações aconteceram na estrutura da São Silvestre. O percurso já teve seu sentido invertido, separou-se a corrida feminina da masculina, para dar visibilidade para ambas e o horário também foi alterado, a prova passou a ser disputada no período da tarde.
Até então, à distância percorrida era de 12 km. Em 1991, a pedido da Associação Internacional das Federações de Atletismo, foi fixada em 15 km para homens e mulheres, para que a prova pudesse ser integrada ao calendário de provas de rua.
Os recordes ficam por conta dos quenianos, Hellen Kimayio e Paul Tergat. Kimayio percorreu 15 km, em 50 minutos e 26 segundos, na prova de 1993. Tergat, o maior vencedor da São Silvestre, com 5 vitórias (1995, 1996, 1998, 1999 e 2000), atingiu a incrível marca de 43 minutos e 12 segundos em 1995.
A maior campeã da corrida de todos os tempos continua sendo a portuguesa Rosa Mota, que emplacou seis vitórias consecutivas, de 1981 a 1986.
Do lado brasileiro, os últimos vencedores, Franck Caldeira e Lucélia Peres tentarão conquistar, ambos, o bicampeonato. Destaques do pelotão de elite do Brasil, os dois terão a difícil missão de acabar com a soberania africana.
“Estou treinando cada vez mais e o meu objetivo é melhorar meus resultados. A presença dos africanos é sempre um motivo desafiador. Quero ganhar deles e por isso estou me esforçando ao máximo”, afirmou Caldeira.
Outros brasileiros que poderão fazer bonito na prova são: o baiano Giomar Pereira da Silva, tricampeão do ranking brasileiro dos Corredores de Rua, Raimundo Nonato de Aguiar, o brasileiro mais bem colocado no ano passado na São Silvestre (7º lugar) e José Teles (o único brasileiro a cruzar a linha de chegada da maratona nas Olimpíadas de Pequim).
Marizete Moreira, vencedora da Maratona de São Paulo deste ano, Maria Zeferina Baldaia, Marily dos Santos e Zenaide Vieira também possuem boas chances de subir ao pódio. O Brasil não vence a prova, tanto no feminino quanto no masculino, desde 2006.
Do lado estrangeiro, estão confirmadas as presenças do tricampeão Robert Cheruiyot (QUE), o atual campeão James Kwambai (QUE), o bicampeão da Pampulha Nicholas Koech (QUE); o campeão dos 10K do Brasil e do 10K Rio Martin Sule (TAN); campeã e recordista da Pampulha Pasalia Chepkorir (QUE); Olivera Jevtic (SER), bicampeã da São Silvestre; Derartu Tulu (ETI), campeã da Maratona de Nova York de 2009 e da São Silvestre de 1994.
Confira a lista dos campeões das últimas 10 edições:
Masculino
1998 - Paul Tergat (Quênia)
1999 - Paul Tergat (Quênia)
2000 - Paul Tergat (Quênia)
2001 – Tesfaye Jifar (Etiópia)
2002 – Robert Cheruiyot (Quênia)
2003 – Marílson Gomes dos Santos (Brasil)
2004 – Robert Cheruiyot (Quênia)
2005 – Marílson Gomes dos Santos (Brasil)
2006 – Franck Caldeira (Brasil)
2007 – Robert Cheruiyot (Quênia)
2008 – James Kipsang (Quênia)
Feminino
1998 – Olivera Jevtiv (Iuguslávia)
1999 - Lydia Cheromei (Quênia)
2000 - Lydia Cheromei (Quênia)
2001 – Maria Zeferina Baldaia (Brasil)
2002 – Marizete de Paula Rezende (Brasil)
2003 – Margaret Okayo (Quênia)
2004 - Lydia Cheromei (Quênia)
2005 – Olivera Jevtiv (Sérvia e Montenegro)
2006 – Lucélia Peres (Brasil)
2007 – Alice Timbilili (Quênia)
2008 – Yimer Wude Ayalew (Etiópia)




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