Especial para a Folha
São Paulo, quinta-feira, 18 de dezembro de 2003.
Lisboa, bar do hotel Sofitel, 15h30.Reunidos para matar as saudades, o técnico Luiz Felipe Scolari, meu amigo José Luis Datena, dois de seus filhos e eu.Uma conversa que durou cinco horas e revelou segredos dos quais jamais desconfiei e para os quais não foi pedido sigilo. Provavelmente, como é de meu estilo, Felipão não admitirá publicamente o que você lerá a seguir, mas certamente não desmentirá.
Primeiro Segredo
Dez dias antes da convocação final para a Copa-2002, Felipão foi demitido durante a noite e readmitido na manhã seguinte, em meio a uma ressaca colossal. A reunião, festiva, que demitiu o treinador, teve a presença da cúpula da CBF (incluindo seu presidente, Ricardo Teixeira), três presidentes de federações influentes, além de dois homens fortes do “Globo Esporte”.Já era madrugada, teor alcoólico no auge, quando o martelo foi batido pela saída de Felipão.No dia seguinte, um dos presidentes da federação acordou e convenceu os demais: o risco era demasiado para se perder o líder do grupo de jogadores, que, depois, acabou reconhecido como uma família.
Segundo segredo
Além do episódio com a aeromoça em Montevidéu, na concentração da seleção, na véspera do jogo contra o Uruguai pelas eliminatórias, o que pesou pra que Romário não fosse à Copa foi a armação da CBF com a Globo para que Felipão fosse hostilizado na frente da sede da entidade. O técnico sabia de tudo e até mudou o horário de seu voo para chegar o mais tarde possível à rua da Alfândega, ode se reunia uma semana antes de anunciar os 22 atletas que iriam para a Ásia. Mesmo assim, houve tumulto e provocação diante do prédio da CBF. Ali Romário recebeu o golpe de misericórdia.
Terceiro segredo
Felipão sabia que não gozava da simpatia da Globo. Manteve postura independente, mas aceitou o insistente convite da direção global para um almoço antes do embarque para a Copa.
Reuniu-se, na emissora, com o comando do Jornalismo e do departamento de esportes. Foi aí que ficou seduzido pela simpatia da jornalista Fátima Bernardes. Não cobrou nada pelas entrevistas exclusivas que concedeu, mas pediu diversas fitas de jogos de rivais do Brasil e, depois, de reportagens que mostravam a confiança da torcida brasileira.
P.S:A coluna que você acaba de ler, provocou a ira de Ricardo Teixeira e seu bando na CBF. Queriam que o Felipão viesse a público e fizesse um comunicado na mesma Folha, desmentindo categoricamente o que escrevi. Felipe recusou.