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Rainha Marta e seu ano brilhante

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Melhor jogadora do mundo, levantou a bandeira e disseminou o futebol feminino no país

Sem dúvida, o ano de 2009 foi o mais importante e significativo para a atacante Marta.

Esta alagoana, de 23 anos, nascida na cidade de Dois Riachos, em 19 de fevereiro de 1986, que começou a dar seus primeiros chutes em uma bola feita de sacos plásticos, hoje é respeitada e admirada no mundo.

Em 2009, até então, três vezes eleita a melhor jogadora do mundo, Marta trocou o Umea IK, da Suécia, para atuar no Los Angeles Sol, da Liga Norte-americana, famoso por ser a versão feminina da equipe que contratou o inglês David Beckham, Los Angeles Galaxy.

Chegou com honras de estrela nas terras do Tio Sam, tirou foto com o astro do basquete Kobe Bryant e até se aventurou nos campos de beisebol. Parecia um presságio do que aconteceria com a brasileira, atuar em um time que antes de entrar em campo já tinha a missão de ser o melhor, pelos investimentos feitos, e brilhar onde o esporte número 1 entre as mulheres é o futebol.

O Los Angeles Sol começou muito bem, impôs seu ritmo de jogo e logo se tornou um dos favoritos ao título. Ao fim do primeiro turno, o Sol ganhou o troféu de campeão da primeira fase. Em 20 jogos, foram 12 vitórias, 5 empates e apenas 3 derrotas. Era um elenco recheado de boas jogadoras: a goleira canadense Karina LeBlanc, a meio-campista japonesa Aya Miyama, a capitã americana Shannon Boxx, a meio-campista francesa Camille Abily, mas quem brilhava mais era a nossa brasileiríssima, Marta.

A artilheira da WPS (Liga Norte Americana de Futebol Feminino) com 10 gols, porém, não conseguiu garantir o título nacional, já que o Sky Blue, de Rosana, Francielle e Natasha Kay derrotou as poderosas de Los Angeles.

No entanto, ali não era o fim da linha, mas sim o início de um marco que aconteceu na história da modalidade no Brasil: o Retorno da Rainha.

A Conmebol havia anunciado que a primeira edição da Taça Libertadores da América de Futebol Feminino aconteceria no mês de outubro, na cidade de Santos. O único clube brasileiro na competição seria o único clube no país que tem uma estrutura profissional para a categoria - o próprio Santos.

Para isso, a diretoria logo propôs reforçar seu elenco que já era um dos melhores do Brasil. Manteve alguns de seus pilares, como a ala Maurine e a zagueira Aline Pellegrino e trouxe a experiente  goleira Andréia Suntaque, que estava no Prainsa Zaragoza (ESP), a meio-campo Francielle, do Sky Blue (EUA), e as atacantes, Erika (Gold Pride, EUA) e Cristiane (Chicago Red Stars, EUA). As Sereias da Vila precisavam de uma jogadora que vestisse a camisa número 10 e nada melhor do que uma Rainha.

Marta chegou, e logo vieram comparações. Será que Marta-Cristiane seria uma versão feminina para Pelé-Coutinho? Parece que sim, pois a dupla ganhou tudo o que disputou pelo time da Baixada santista.

Na Libertadores, as jogadoras sobraram em campo. O torneio foi uma mostra de como o futebol feminino é tratado com indiferença em países da América Sul. Jogadoras totalmente amadoras, que entraram em campo sem um preparo físico adequado e sem muita tática e técnica.

A decisão aconteceu diante da Universidad Autonoma, do Paraguai, na Vila Belmiro. Diante de 14 mil pessoas, as Sereias da Vila venceram por 9 a 0 e sagraram-se campeãs da Copa Libertadores da América.

A próxima etapa que Marta teria de cumprir no país era conquistar a Copa do Brasil.

Após deixar para trás, CRESSPOM-DF, Mixto-MT, Novo Mundo-PR e Pinheirense-PA, era a hora da verdade. A final seria diante do Botucatu, o segundo melhor time do país, que contava com a experiência da meio-campo Formiga, da solidez e garra da volante/zagueira Bagé e da artilheira Grazi.

Foi o jogo da redenção. Cristiane e Marta, duas vezes, garantiram mais um troféu para o Santos, o de Campeão da Copa do Brasil.

Marta estava nas estrelas. Campeã de tudo.

Os jogos femininos estavam sendo transmitidos na TV aberta, só se falava da eficiência, dos dribles, das jogadas, foi o ponto mais alto que a categoria chegou, desde a época de Sissi, Pretinha, Maycon, Michael Jackson, Katia Cilene.

Com o sucesso, a CBF, a Federação Paulista de Futebol, entre outros colaboradores criaram uma espécie de ‘mundialito’, com apenas quatro seleções; China, México, Brasil e Chile. A base do Brasil era o time do Santos. Coincidência, ou não, o técnico da seleção também é treinador do Alvinegro praiano, Kleiton Lima.  

Pode ser que ali, Marta tenha alcançado sua glória, antes vista somente na Copa do Mundo, na China, em 2007. Naquela ocasião, o Brasil não ficou com o título, mas Marta mostrou ao mundo seu cartão de visitas.

No Torneio Internacional Cidade de São Paulo, realizado em dezembro, o Brasil deitou e rolou e ganhou o título em cima das mexicanas, por 5 a 2. A camisa 10 não pôde ficar para festa, pois teve que viajar para Zurich, na Suíça, ao lado de Cristiane, para a cerimônia de entrega do troféu de melhor jogadora do mundo.

Ao seu lado fortes candidatas. A inglesa Kelly Smith, jogadora do Boston Breakers, as alemãs; Inka Grings, atleta do Duisburg (ALE) e Birgit Prinz, jogadora do Frankfurt e a artilheira brasileira Cristiane.

Mesmo com o ano brilhante de Cristiane, que infernizou a vida das adversárias, Marta faturou seu quarto título (2006/07/08/09) e mais uma vez levou o nome do Brasil e do nosso futebol feminino para todo o mundo.

Um ano perfeito, para entrar na história. Marta agora está nos Estados Unidos, onde defende o FC Gold Pride, último colocado da WPS 2009. Lá, Marta Vieira da Silva encontrará mais uma difícil missão: levar um azarão ao título.

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