Quando explicar é desnecessário
Para Lula o Pan do Rio não teve problemas
O presidente Lula desmentiu que houve superfaturamento e desvio de dinheiro público na realização do Pan-Americano de 2007, no Rio de Janeiro. Difícil saber se o mandatário chefe do País está mal informado ou se realmente estaria acobertando os fatos inquestionáveis. De qualquer maneira, ambas as possibilidades atentam contra o exercício de seu cargo.
Lula ignora os relatórios do TCU que demonstram que nunca se roubou tanto dinheiro público neste país, com tamanha diferença de orçamentos, tendo como pano de fundo a realização de um evento esportivo.
Leio na coluna de Janio de Freitas, na Folha, que um estádio deveria custar R$ 80 milhões, e no final o valor pago pela obra foi de R$ 450 milhões. Até em aluguéis de aparelhos de ar refrigerado eles se locupletaram. Custaram 31 % a mais do que se tivessem sido comprados.
Muitos são os casos de irregularidades, quase todos de difícil explicação.
Os responsáveis por toda a obra financeira, portanto co-autores de qualquer possível ilícito, estão sendo defendidos neste momento pelo Presidente da República. São eles, a Prefeitura do Rio de Janeiro, o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro.
O Pan-Americano do Rio serviu apenas de balão de ensaio para que outras irregularidades, de proporções ainda maiores, sejam executadas e, se possível, maquiadas, visando o enriquecimento daqueles que por anos sobrevivem do esporte.
O Ministro do Esporte Orlando Silva Junior, o presidente do COB Carlos Nuzman e Ricardo Teixeira, Imperador da CBF, não possuem a isenção moral necessária, em nossa opinião, para serem os responsáveis por eventos deste porte. Os dois primeiros foram participantes ativos da “sangria” do Pan, e o terceiro, conhecido de algumas CPIs, é o responsável direto pelo atual sistema de “gerenciamento” do futebol brasileiro, em que os clubes estão cada vez mais pobres e a CBF com mais poder e dinheiro.
Bons tempos aqueles em que Lula discursava nos pátios das montadoras em São Bernardo do Campo. Época em que ele enxergava os problemas do país, sabia como resolvê-los e condenava aqueles que tentavam usurpar o direito do povo brasileiro.
As coisas mudaram, Lula chegou ao poder, mas seu discurso se perdeu, junto com a coragem e o comprometimento com a verdade. O resultado você confere, nos diversos relatórios e CPIs que serão criadas após as intermináveis candidaturas olímpicas e após a farra do Mundial de 2014.
Quem viver verá.




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